Mais de 60% da população brasileira está acima do peso e 31% têm obesidade. Escala de Fenótipo do Comportamento Alimentar mostra padrões responsáveis pelo aumento de peso

O Atlas Mundial da Obesidade 2025 aponta que mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso e 31% dos brasileiros têm obesidade. Os números são um alerta, já que a obesidade é uma doença crônica ligada a mortes prematuras. Uma ferramenta chamada Escala de Fenótipo de Comportamento Alimentar (EFCA) ajuda médicos e pacientes a entenderem e enfrentarem o problema.
A EFCA é um norte para um tratamento mais individualizado, diz a médica Luciana Siqueira, vice-coordenadora do Programa de Residência de Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas. “Entre os muitos fatores que podem ser responsáveis pelo aumento de peso, o fenótipo do paciente é um deles. Há as características alimentares do compulsivo, do emocional, do hedônico, do hiperfágico e do desorganizado”, explica.
Para a médica, entender em qual desses padrões o comportamento do paciente se encaixa ajuda no tratamento. Há medicações mais indicadas para o compulsivo, por exemplo. Um outro caso é do paciente com indicação de bariátrica e tem comportamento hedônico, ou seja, come por sentir muito prazer em algumas comidas. “Após a intervenção, ele perde o prazer por aquele alimento e muitos sentem medo de passar por isso. É importante o paciente entender que o paladar pode mudar pelas alterações hormonais proporcionadas pela bariátrica, mas ele vai experienciar outros sabores”, esclarece Luciana.
Confira abaixo as características de cada fenótipo: O compulsivo: come algo que gosta muito, come rápido e deseja alimentos específicos, como chocolate, salgado. Sente perda de controle e urgência na busca por alimento. Tem alto grau de impulsividade e geralmente não consegue parar de comer. Quando termina de comer, tem a sensação de culpa.
O emocional: come em resposta a emoções positivas ou negativas. A comida pode ser usada para celebração ou frustração. Se o paciente está triste, busca conforto na comida e tem prazer temporário. Geralmente prefere alimentos calóricos e reconfortantes, como doces, fast food. Assim, sente que acalma as emoções através da comida. Tem o hábito de petiscar em meio às refeições sem medir a quantidade que come.
O hedônico: come por prazer e porque aprecia o sabor da comida, a explosão de sabores. Sente-se tentado ao sentir o cheiro de comida que gosta. Por exemplo, se ama pizza e sente o cheiro, quer comer. Se passa em padaria, fast food, também. Tem paladar refinado, gosta de experimentar. Quando come algo que gosta muito, tem dificuldade de parar. Se é fissurado na pizza, é capaz de comer as oito fatias.
O hiperfágico: consome grande quantidade de alimento em uma só refeição. Faz aquele prato imenso e ainda costuma comer mais de um prato nas refeições principais. É aquela pessoa que vai mais de uma vez ao self service. Ele não se sente culpado quando come muito, diferentemente do compulsivo. Come até ficar cheio.
O desorganizado: acontece com a maioria das pessoas nos dias atuais. Pula as refeições. Não se alimenta no café da manhã porque está apressado ou porque não se acorda disposto a comer. Repete a mesma ação ao longo de dias. Também costuma passar mais de cinco horas por dia sem comer. No final do dia, sente mais fome e procura alimentos mais calóricos, como pão, massas, doces, já que passa o dia sem comer e o corpo sinaliza que precisa de energia. O problema é que a energia mais rápida vem dos alimentos mais calóricos.
