Doenças Associadas

Pacientes com obesidade relatam ansiedade e depressão no enfrentamento da doença

É dia de consultório. Nas redes sociais, a médica Luciana Siqueira costuma postar imagens da própria sala acompanhadas de frases acolhedoras para os pacientes que estão para chegar. Há 18 anos, a cirurgiã bariátrica opera pessoas com variados graus de obesidade na rede pública e privada de saúde. Na consulta, alguns choram enquanto relatam suas limitações físicas ou dores emocionais relacionadas à obesidade. Os sentimentos predominantes são de culpa, vergonha, frustração e fracasso por não conseguirem controlar a doença. 

Até 2035, mais da metade da população mundial terá sobrepeso ou obesidade, de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade de 2023. Por trás dos números frios, estão histórias reais de pessoas enfrentando ansiedade e depressão. Sintomas agravados em meio a uma sociedade gordofóbica, que não aceita pessoas fora de um determinado padrão.

“O estado de saúde mental desequilibrado é a maior dor que eu encontro nos pacientes. Eles se sentem incapazes e fracassados por não conseguirem lidar com a doença. As limitações físicas também levam a condições emocionais sofridas”, explica a médica.

Luciana Siqueira destaca que o enfrentamento da obesidade não é apenas sobre perder peso ou estética. É sobre ganhar anos de vida com mais saúde. Segundo a médica, a obesidade está relacionada a várias comorbidades, tais como hipertensão, diabetes, apneia do sono e alguns tipos de cânceres, um dos assuntos de pesquisa da médica. “Quando me questionam sobre um paciente com obesidade com exames de sangue normais, explico que, mais tarde, o quadro de saúde dessa pessoa provavelmente vai mudar e ela vai desenvolver outras doenças. Pessoas magras, obviamente, podem apresentar quadros de saúde comprometidos, mas a obesidade é um fator de risco a mais”, explica.

A doença, diz Luciana, é tão cruel que os pacientes pensam que, no dia seguinte à cirurgia, estarão magros e esquecem de pequenas conquistas diárias com a perda de peso, como caminhar sem se cansar, atacar um cadarço sem dificuldade, entre outras atividades. “Por isso é tão importante ter do outro lado uma equipe que saiba escutar o paciente para mostrar para ele os pequenos avanços no dia a dia e não falar o que o paciente deseja ouvir.”

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