As pessoas com obesidade não precisam de julgamento, precisam de tratamento. Como qualquer paciente que convive com uma doença crônica, elas necessitam de acompanhamento permanente, acolhimento e respeito. No entanto, o estigma em torno da obesidade ainda é forte, sustentado pela visão de que se trata apenas de um problema comportamental. O pior: esse preconceito parte dos próprios profissionais de saúde, que também reproduzem um olhar reducionista, contribuindo para a gordofobia, o isolamento social e o adoecimento mental.
Segundo Luciana, a ideia de que a obesidade é resultado exclusivo de escolhas pessoais continua sendo um dos maiores entraves para o cuidado adequado. “As pessoas encaram a obesidade como um problema de comportamento errado do paciente, como se ele estivesse na condição porque deseja, e, por isso, atribuem toda a responsabilidade a ele. Chamamos isso de internalização. Inclusive, 60% dos profissionais de saúde adotam esse estigma quando recebem um paciente obeso”, afirma.
A médica reforça que a obesidade requer abordagem clínica séria e contínua. “Estamos falando cada vez mais sobre o uso de medicações no enfrentamento da obesidade e sobre a necessidade de continuidade do tratamento. Quando esse uso é interrompido, a doença retorna. Isso mostra, mais uma vez, que estamos diante de uma doença crônica”, explica.
A falta de compreensão, tanto da sociedade quanto de profissionais de saúde, contribui para atrasar o tratamento adequado, além de intensificar a gordofobia e o sofrimento psíquico. Para Luciana, é essencial mudar o ângulo de visão sobre a doença. “O enfrentamento não se encerra com a cirurgia bariátrica. A obesidade precisa ser tratada com acompanhamento multiprofissional ao longo da vida”, alerta.
