Obesidade

Por que os homens ainda são minoria nas cirurgias bariátricas?

Homens sofrem muito menos pressão social sobre a imagem corporal. Além disso, eles costumam cuidar menos da saúde

No consultório da cirurgiã Luciana Siqueira, apenas dois em cada dez pacientes que passam pela cirurgia bariátrica são homens. Ou seja, uma esmagadora minoria. Algo que se repete nos consultórios de outros colegas da profissional. Mas o que explica essa baixa procura dos homens pelo tratamento da obesidade se ela afeta igualmente homens e mulheres?

Para a médica, que é vice-coordenadora do Programa de Residência em Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, além de coordenadora da Comissão de Mulheres Cirurgiãs Bariátricas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, isso se dá porque a mulher sofre muito mais pressão sobre a imagem corporal que os homens. Além disso, os homens costumam cuidar menos da saúde.

“Entendo como uma questão antropológica e cultural. Homens com barriga proeminente e calvos muitas vezes são considerados charmosos, mas mulheres com as mesmas características não são vistas da mesma forma pela sociedade. Além disso, eles procuram menos o sistema de saúde até mesmo para exames preventivos, muitas vezes por tabu do exame de próstata. Por isso a adesão ao tratamento da obesidade também é baixa”, explica Luciana Siqueira.

No consultório, alguns chegam a narrar que somente vão se submeter à bariátrica porque chegaram ao limite das complicações de saúde causadas pela doença, como diabetes e desconforto cardíaco. “Ou seja, mesmo com as comorbidades, eles postergam o tratamento ao máximo.”

Além disso, em geral, quando procuram a bariátrica não é para alcançar qualquer padrão estético e sim para voltar a ter autonomia, ser uma pessoa mais funcional e voltar a praticar esportes com os amigos, por exemplo. “Eles não sentem a pressão pelo corpo dito perfeito, mas pela autonomia perdida pelo excesso de peso. Digo que a maioria procura a bariátrica mais para reconquistar a funcionalidade do corpo e não diretamente enfrentar as comorbidades”, completa Luciana Siqueira.